O crescimento dos marketplaces transformou a forma como empresas vendem, apuram e recolhem tributos no Brasil. Ao centralizar milhares de vendedores, essas plataformas criaram novas oportunidades de negócio — mas também um ambiente tributário mais complexo.
A multiplicidade de canais, estados e regimes fiscais exige precisão na apuração de impostos, algo que apenas a integração tecnológica entre ERP e marketplaces consegue sustentar¹.
O cenário da tributação multicanal
No modelo tradicional, as empresas emitem notas fiscais e apuram tributos diretamente sobre suas vendas próprias. No ambiente dos marketplaces, porém, surgem novas variáveis: intermediadores, comissões, retenções, tributos compartilhados e operações interestaduais.
Cada transação pode envolver regras distintas de ICMS, ISS e retenções federais, exigindo um controle fiscal mais granular.
Além disso, a legislação ainda está em processo de adaptação para lidar com o modelo digital, o que torna o acompanhamento constante das mudanças uma tarefa obrigatória para contadores e gestores fiscais².
O papel do ERP na apuração integrada
O ERP é a principal ferramenta para lidar com a tributação multicanal. Ele consolida as informações de vendas de diferentes marketplaces e canais próprios, aplicando automaticamente as regras fiscais conforme o local de origem, destino e natureza da operação.
Esse processo inclui:
- Identificação automática de CFOPs e CSTs;
- Cálculo de retenções e substituições tributárias;
- Consolidação de notas fiscais eletrônicas emitidas por diferentes plataformas;
- Geração de relatórios de apuração de ICMS, ISS, PIS e Cofins³.
Com isso, a empresa ganha agilidade e reduz drasticamente os riscos de divergência entre as declarações e os dados efetivos das vendas.
Desafios práticos e riscos de inconsistência
A ausência de integração entre sistemas de venda e gestão é o principal fator de erro fiscal em operações multicanal.
Quando os dados são importados manualmente ou em planilhas, há risco de:
- Duplicidade de informações;
- Falhas na classificação fiscal;
- Apuração incorreta de créditos e débitos de ICMS;
- Inconsistências entre valores de comissões e retenções.
Esses problemas podem gerar autuações, atrasos em declarações e perda de credibilidade junto aos órgãos fiscais.
Por isso, a automação integrada não é apenas uma melhoria operacional, mas uma medida de compliance tributário.
Conclusão
A tributação nos marketplaces representa um novo paradigma para a contabilidade digital.
A diversidade de canais e regras fiscais exige sistemas inteligentes, capazes de consolidar e tratar dados de forma integrada.
O ERP, quando configurado adequadamente, atua como o elo entre o comércio eletrônico e a conformidade fiscal, permitindo que empresas cresçam de forma segura e sustentável.
Num cenário de apuração multicanal, tecnologia e gestão tributária caminham lado a lado.
Notas de Rodapé (simuladas)
¹ Receita Federal do Brasil. “Orientações sobre Tributação no Comércio Eletrônico e Intermediação Digital”, Brasília, 2025.
² CFC – Conselho Federal de Contabilidade. “Guia de Boas Práticas Fiscais no Ambiente Digital”, Brasília, 2024.
³ IBPT – Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação. “Tributação de Marketplaces e Desafios da Apuração Multicanal”, São Paulo, 2024.








